quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Indicações de como ler o conto "Cantigas de Natal"

Este blog contém o conto de natal intitulado “Cantigas de Natal”.
Os temas centrais do conto são: as mais belas canções de Natal e os 7 pecados capitais.
Este conto traz as estórias do maestro Oswaldo narradas às crianças-cantoras que participam do coral que se apresenta, nas semanas que antecedem o Natal, no espetáculo do Palácio Avenida em Curitiba.
Publicamos "Cantigas de Natal" no blog para poder inserir os vídeos e os áudios das canções de Natal, e assim enriquecê-lo.
Pode-se ler por capítulos, indicados pelos “MARCADORES”, ao lado esquerdo:


Ou por páginas, publicadas no mês de agosto:

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Dedicatória

Ao “vô Oswaldo”, em agradecimento por sua arte e sabedoria. 

Prefácio do Conto Cantigas de Natal


Contos de Natal narrados em Curitiba
Desde o ano de 2006, venho pregando um Tríduo de Natal para as famílias das estudantes que atendo espiritualmente, no Centro Cultural Igaraçu, na cidade de Curitiba. A cada ano, em três dias consecutivos, narro um conto de Natal, visando ajudar os ouvintes a se prepararem espiritualmente para o Nascimento de Jesus.
Nos anos de 2006 e 2007, utilizei como tema central dos contos o presépio, criando os contos “O presépio das crianças” e “Os animais do presépio”.
Para o Tríduo de Natal dos anos seguintes resolvi escolher outros dois temas principais: as canções de Natal e os pecados capitais, que interagiriam entre si para assim criar o conto “Cantigas de Natal”.
As canções de Natal são uma das tradições natalinas que sempre emocionaram os cristãos e ajudaram a preparar seus corações para o Natal.
Não é verdade que muitos cristãos guardamos no coração, entre as recordações mais cálidas do Natal, as de quando nos reuníamos em família ou entre amigos e cantávamos as ternas e cativantes canções de Natal?!
Devo revelar um fato marcante e mesmo decisivo para a elaboração do conto Cantigas de Natal: a oportunidade de assistir diversas vezes ao espetáculo de Natal encenado, anualmente, no Palácio Avenida, em Curitiba. Nessa apresentação natalina, um coro infantil interpreta as mais belas canções de Natal de todo o mundo. Se o leitor tiver oportunidade de alguma vez passar as semanas que antecedem o Natal, na cidade de Curitiba, não deixe de assistir a esse espetáculo encantador.
A idéia de utilizar o tema dos pecados capitais veio-me da leitura do conto “Um cântico de Natal”, de Charles Dickiens. Se o autor se utiliza do conto para mostrar o pecado capital da avareza e propor uma conversão profunda do coração a quem o lê – pelo menos essa foi a minha leitura – porque não escrever, dentro das minhas limitações literárias, um conto que fizesse o mesmo com cada um dos pecados capitais?
Passei então a estudar, com maior profundidade, os temas das canções de Natal e dos pecados capitais. Devo reconhecer que não encontrei fontes tão seguras, como gostaria, sobre as canções de Natal. E os entendidos do assunto me desculpem se houver alguma imprecisão nesse tema. Mas, não me afligi com isso, pois quem escreve um conto pode, sem problema algum, recorrer à “liberdade literária”.
Quanto ao tema dos pecados capitais, devo reconhecer que me utilizei principalmente das idéias contidas nos escritos de São Josemaria Escrivá e nas anotações pessoais das meditações de outros sacerdotes, tomadas desde a minha juventude. Consultei também o grande Doutor do tema: São Tomás de Aquino, principalmente na sua obra De malo. Foram-me também de grande proveito as meditações sobre o tema do Pe. Paulo Ricardo, que aborda o tema dos pecados capitais sob a ótica dos Santos Padres. Agradeço a todos que direta ou indiretamente contribuíram com alguma idéia ou imagem contidas nesse conto. Se decidi não citar a nenhum deles foi porque, além de não serem citações literais, não ficaria bem fazê-lo em um conto.
Não oculto que um dos meus propósitos com essa obra é permiti-lhe conhecer algo mais sobre os pecados capitais, de uma forma descontraída, para que possa identificar quais são os principais vícios comportamentais que possui e procurar combatê-los nas suas manifestações e, principalmente, nas suas causas.
Por último, permita-me recordá-lo que para se ler um conto é preciso fazer-se criança e adentrar nesse de coração desarmado.
Desejo-lhe uma boa leitura e que esse conto possa ajudá-lo a ter um Santo e Feliz Natal.
Curitiba , 26 de julho de 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

1.1 - Meu ingresso no coral



Conto
Cantigas de Natal

 “Alguém no céu, olha por mim,
guarda os segredos que eu tenho.
Moram no céu anjos de luz,
que sabem de onde eu venho.
Meu pai do céu, olhai por mim,
quando eu me sentir sozinho.
Mandai do céu um querubim,
pra iluminar meu caminho...”
(canção popular brasileira)

Capítulo 1: Os Corais de Natal

Todos os anos, minha família e eu assistíamos ao espetáculo musical de Natal do Palácio Avenida em Curitiba.
Essa apresentação natalina também possuía uma grande beleza visual. A decoração da fachada do imenso edifício, cujos contornos eram todos iluminados por milhares de luzinhas, fazia com que o Palácio Avenida se parecesse, na minha imaginação infantil, a um castelo do mundo dos sonhos ou saído dos contos de fadas.

Impressionava-me ainda mais ver que, em cada janela do palácio, contornada por “estrelinhas luminosas”, apareciam uma ou duas crianças que formavam, no conjunto, um lindo coral de 160 cantorezinhos, que interpretava as mais belas canções de Natal. Parecia-me mais um coro de anjos, que cantava para embalar o Menino Deus recém-nascido.



Sempre me comovia com as canções natalinas interpretadas pelas crianças e sonhava com o dia em que também eu poderia ingressar nesse coral. Mas, para o bem da verdade, parecia-me um sonho distante, totalmente impossível, tal como seria tornar-me um personagem de uma estória infantil de Monteiro Lobato.
Qual foi a minha surpresa quando meus pais, um belo dia, chamaram-me para conversar e contaram-me que haviam feito a minha inscrição para participar do processo de seleção que escolheria as novas crianças-cantoras que ingressariam no coral daquele ano, substituindo as que sairiam por estarem já bem crescidas.
Graças a Deus, eu tinha uma voz muito afinada e consegui superar a ansiedade na hora do teste, ocupando uma das vagas do coral das crianças. Não imaginava, porém, como a participação nesse coral transformaria totalmente a minha vida.
O grande responsável pela minha mudança foi o seu maestro, Oswaldo Resende, não só por ensinar-me a cantar mas especialmente por me ensinar a principal arte: a de viver. Era um excelente músico e ainda melhor contador de contos, como vocês terão chance de observar, já que resolvi narrar, agora, algumas das incríveis estórias que nos contava nos nossos inesquecíveis ensaios semanais.
Puxei da memória, para tentar recuperar, na medida das minhas possibilidades, as suas palavras exatamente como o ouvi contar. Não me atribua, portanto, os méritos dessas estórias, pois não passo de um mero relator ou redator.
Deixemos de tantas explicações e comecemos a estória.

1.2 - As primeiras canções de Natal


Ao chegar ao primeiro ensaio do coral infantil, vi um homem que beirava os sessenta anos e que nos tratava com grande paciência e afeto:
Minhas crianças, meus pupilos... Coloquem-se, por favor, nos seus respectivos lugares, pois vamos iniciar os ensaios das canções de Natal deste ano.
Como as crianças veteranas no coral já sabem, antes gostaria de contar-lhes a história das canções de Natal e explicar toda a influência que sua interpretação pelo nosso coral pode ter na vida das pessoas que assistirem ao espetáculo natalino.
Desde já, garanto que muitas pessoas só conseguirão preparar o seu coração para o Natal graças à nossa apresentação.
Iniciou o seu primeiro discurso com um breve resumo da história das canções de Natal, segundo a sua visão pessoal, dizendo-nos:
Os corais que interpretam as músicas de Natal são muito antigos. O primeiro coral foi formado não por pessoas humanas, mas por anjos, exatamente no dia do primeiro Natal. No dia em que o Menino Jesus nasceu, os anjos anunciaram o seu nascimento aos pastores da região, fazendo ressoar pelos ares o primeiro cântico de Natal: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”.
Não conhecemos a melodia dessa cantiga, apenas a sua letra. O Papa Telésforo, no século II, resolveu musicá-la tentando imaginar sua possível melodia. Criou, assim, o hino “Gloria in Excelsis Deo”, que interpreto agora para vocês.
Nesse momento, o maestro Oswaldo cantou com uma voz superafinada e volumosa o hino “Gloria in Excelsis Deo”, que escutei pela primeira vez na vida. A sua interpretação nos emocionou muito. Ao terminar a cantiga foi aplaudido por todas as crianças do coral.
Quando cessaram os aplausos, continuou a sua explicação:
Dizem que sempre que um coral interpreta uma canção de Natal, na terra, ao mesmo tempo outro coral, de anjos, a interpreta no céu. E quando o coral terreno é infantil, como o nosso, o coral celestial é composto pelos anjos da guarda das próprias crianças-cantoras. O próprio Jesus Cristo já havia dito: seus anjos veem a minha face no céu. E eu acrescentaria: e cantam para o Menino Deus.
A canção de Natal humana mais antiga foi composta no século IV. Seu título é “Jesus refulsit omnium”. E a composição é atribuída a Santo Hilário de Poitiers.
O Maestro mais uma vez, ao citar a canção, cantou-a do início ao fim. Sabia de memória a melodia e a letra em latim. Via-se claramente que ele era um apaixonado pelas canções de Natal. Achava que havia algo de extraordinário nelas, tanto que nos expôs:
Mas isso de dizer que uma canção de Natal é completamente humana deve ser melhor explicado, pois não acredito que elas não tenham uma fonte de inspiração divina ou, no mínimo, angélica. Afinal, como explicar que os corações das pessoas entram em ressonância e se abrem a Deus, quando se interpreta uma dessas canções?!
Fiquei curioso por saber o que acontecia no coração das pessoas! Que história era aquela de que os corações se abriam a Deus quando cantávamos canções de Natal? Mas, quando ia perguntar sobre o assunto, ele continuou a contar a história das canções de Natal.

1.3 - Versões de Canções de Natal estrangeiras


Entre as diversas músicas que vamos interpretar, neste ano, estará a mais conhecida de todas. Nós a denominamos “Noite Feliz”, embora seja uma canção de Natal austríaca e seu título original seja “Stille Nacht”, noite serena.

A letra foi composta pelo padre Joseph Mohr e dois anos depois, em 1818, foi musicada por seu amigo Franz Xaver Gruber, maestro e organista.
A letra original foi escrita em Alemão. Hoje, essa canção está traduzida para mais de 300 idiomas. E, praticamente em todo o mundo, é impossível que um coral não interprete essa música na sua apresentação de Natal.
O maestro Oswaldo não pôde se conter e cantou emocionado a canção na sua língua original.





Ao terminar, fez a seguinte ressalva:

Mas nós iremos cantar a sua versão em português, para que todos possam acompanhá-la e aproveitá-la melhor.
O Maestro continuou instruindo-nos sobre a história das canções de Natal:
Houve uma época na história, por volta do século VII, em que as canções de Natal claramente não tinham qualquer inspiração espiritual; não passando de meras composições folclóricas. E, hoje em dia, em muitos lugares ocorre o mesmo, ou pior: há uma autêntica comercialização do Natal, e muitas canções não falam mais do Nascimento de Jesus. Penso que tais canções nem deveriam ser consideradas propriamente natalinas.
Gostei desse comentário do maestro Oswaldo, pois pensava igual. E, embora hoje saiba que o Papai Noel pode ser associado a São Nicolau de Bari, pessoalmente nunca gostei das canções que falavam apenas do Papai Noel, trazendo presentes para todas as crianças comportadas, que deixam o “sapatinho na janela do quintal”.
O maestro Oswaldo retomou a história das cantigas de Natal:
Mas depois de uma época de pouca inspiração, começaram a aparecer novamente, no século XIII, em vários países, composições verdadeiramente natalinas, como o hino “Ave Rex Angelorum” (Salve Rei dos Anjos), composto pelo poeta Jacopone Benedetto. Por essa época apareceram também os “Carols” na Inglaterra, os “Villancicos” na Espanha e os “Cantiques de Noel” na França. Na Rússia e na Polônia, os cânticos eram chamados de “Kolendas” e, na Alemanha, de “Weihnachtslieder”.
Todos nós ficávamos impressionados com a cultura musical do maestro e com o domínio que demonstrava das canções em diversas línguas.
Eu, francamente, fiquei um pouco decepcionado ao saber que muitas das tradicionais cantigas de Natal, que considerava brasileiras, eram apenas tradução ou versão de cantigas estrangeiras. Por outro lado, fiquei contente em conhecer a verdadeira história dessas cantigas.
Perguntei, então, ao maestro se não existiam cantigas de Natal autenticamente brasileiras e se nós não iríamos cantá-las.
O maestro logo tirou as minhas dúvidas.
Claro que existem, embora algumas das músicas de Natal mais conhecidas do grande público sejam estrangeiras, traduzidas para o português ou versões de outras canções, como “Bate o sino” que utiliza a melodia de “Jingle bells”. 


1.4 - Canções de Natal brasileiras


São cantigas autenticamente brasileiras: Natal das Crianças, o samba “Menino Deus”, “O Natal existe”, “Anoiteceu”...






Agora, devo anunciar que para o repertório deste ano tenho uma surpresa: apresentarei ao público uma nova canção de Natal brasileira. A melodia já é bem conhecida, pois é a da música “Ao que vai chegar” de Toquinho. O famoso compositor escreveu a canção para seu filho que ia nascer, e eu a adaptei para o nascimento do Menino Jesus. Estou na expectativa de que o próprio Toquinho aceite o convite e venha cantar conosco essa canção de Natal.



Eu fiquei entusiasmado em poder ter a chance de cantar junto com Toquinho já no meu primeiro ano de coral.